Vegetarianismo, uma reflexão

Eu não como carne. “Mas nem um franguinho?”, me perguntam muitos incrédulos. Não. “Mas nem um peixinho?”, eles continuam. Não. Eu não como carne. A decisão, tomada há uns cinco anos, no entanto, é minha e só minha. Ninguém precisa “não comer carne” comigo ou afins. Se meus amigos mais bacanas estão em um churrasco, não vou deixar de curti-los por conta disso. Se minha mãe quer comer camarão, não custa nada eu ir lá buscar pra ela. Pra mim, não tem problema.

Os vegetarianos mais ortodoxos condenam essa prática. Os onívoros, aqueles que comem de tudo, me vêem como biruta. É, sou incompreendida. Mas não me importo; afinal, isso acontece com as mentes mais brilhantes. Pelo menos é o que dizem.

Por isso, mesmo sendo vegetariana, a receita que hoje eu deixo para ser consumida nesse friozinho paulistano, é a do “Cassoulet do amor” da Katita. Ela, blogueira que me fez, junto com o Jamie Oliver, claro, ter amor pelas “questões culinárias”, posta quase que diariamente aqui, ó, no Pitéu. Suas receitas são cheias de histórias, cheiros e cores e eu adoro devorá-las com os olhos. Vira e mexe reproduzo uma ou outra. Não é o caso do “Cassoulet do amor”, já que eu não como carne, mas em breve vocês entenderão o que ele faz por aqui. Confiram:

Cassoulet do amor
, por Katita
Post de 27 de junho de 2011

“Cassoulet é uma espécie de feijoada francesa, feita com feijão branco, carnes brancas e/ou aves. Eu chamei o meu cassoulet de “cassoulet do amor” porque na minha cabeça este é um prato para se fazer para pessoas amadas, pois apesar de simples nos seus princípios, é um pouquinho trabalhoso e merece tempo, dedicação, atenção … muita coisa para cortar, caldos para fazer, várias etapas, cozimento lento e preparo desde a véspera para que encorpe na medida.

De todas as receitas que já vi, a minha segue mais de perto a do Anquier. A do Claude leva frango assado inteiro misturado ao feijão, coisa que não faz a minha cabeça, e prefiro mesmo fechar nos defumados de porco.

Vou começar dando duas dicas que facilitaram a minha vida: usei feijão branco pronto da Camil, o que significa que pulei a etapa do cozimento do grão; usei tomates pelados em lata, o que significa que não tive esse trabalho danado também.

O feijão deveria ser cozido num belo caldo, mas mesmo comprando o grão já pronto, não deixei de fazê-lo. Num litro e meio de água, coloquei folhas e talos de salsão e alho-poró, 1 cebola branca partida ao meio com 3 cravos espetados em cada banda, 2 dentes de alho, 1 cenoura pequena partida ao meio, louro, tomilho e salsa frescos, e levei a ferver até reduzir para pouco mais de 1 litro. Feito isso, coei o caldo devolvi à panela, juntei o feijão, tampei e reservei para o grão incorporar aquele cheiro e sabor.

Numa assadeira, dispus calabresa, paio, costela, lombinho e bacon, todos defumados e lavados, e escaldei com água quente duas vezes, para depois escorrer e lavar em mais água corrente (ainda assim ficou mais salgado do que eu gostaria, da próxima, vou deixar de molho na véspera).

Aqueci uma panela de ferro untada com óleo de canola e quando estava bem quente, dispus o bacon em pedaços para soltar a gordura; retirei da panela e somei a calabresa e o paio, que também liberaram gordura e foram removidos, para que finalmente eu somasse os pedaços de lombinho e costela para uma fritadinha rápida. Removi toda a carne da panela, tirei do fogo e coloquei ali 2 dentes de alho amassados, 1 cebola pequena em cubos, 1 cenoura pequena em cubos, a mesma quantidade de aipo (talos do salsão) em cubos e de rodelas de alho-poró, refogando tudo na gordura das carnes; depois somei uma lata de tomates pelados, que deu uma refogadinha ali e por fim somei uma xícara de vinho branco seco e deixei evaporar o álcool.

Finalmente, devolvi as carnes à panela e cobri tudo com caldo de galinha (não recomendo os prontos por conta do sal, a não ser que as carnes defumadas fiquem de molho desde a véspera). Abaixei o fogo e deixei a mistura cozinhar levemente até que as carnes estivessem macias e o caldo bem reduzido. Só depois de macias as carnes é que eu misturei o feijão com o caldo para que ele não espatifasse. Deixei tudo ferver junto por alguns minutos, desliguei o fogo, tapei a panela de ferro bem quente, apaguei a luz da cozinha e fui dormir. O cheiro maravilhoso de cassoulet invadiu a casa inteira e embalou meu sono.

(antes do forno e a caminho para gratinar)

Quando acordei no dia seguinte fui direto abrir a panela; encontrei um ensopado lindo, encorpado e muito aromático. Na hora de servir, aqueci, deixei levantar fervura, polvilhei com farinha de rosca torradinha e levei ao forno na mesma panela para gratinar (esta é uma das grandes vantagens das panelas de ferro Le Creuset, cujos cabos são também de ferro, uma extensão do corpo da panela). Fiz apenas arroz branco como acompanhamento.

Cassoulet é um prato muito especial e delicioso, daqueles que arrancam suspiros. Os franceses, definitivamente, sabem das coisas, ô se sabem!

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6 thoughts on “Vegetarianismo, uma reflexão

  1. وایی: Cana

    Gui, admito MUITO quem é vegetariano. Eu, no entando, o máximo que consegui foi diminuir a quantidade, já que não gosto de peixe, não ligo para frango e não como carnes de bichinhos “fofos” como coelho, avestruz, carneiro, bode (amo bodes!) e nem de animais exóticos como jacaré, rã, tubarão e muitos outros. Quando como carne é de boi.

    Várias vezes pedi a Deus que, na próxima encarnação, me dê mais forças para ser vegetariana pq não consigo sozinha. Cada um tem um motivo: o meu é pelos animais. Na Bíblia está escrito que Jesus dividiu um carneiro com o povo e que comia peixes. Não acho errado matar animais para o CONSUMO, desde que sua morte não seja sofrida. Como nós não temos o controle disso nos abates, evito ao máximo o consumo de carne.

    Absurdo é matar animais pelo bel prazer, como fazem com gatos e cachorros. Matam pq “não gosto de gato pq um dia um me arranhou” ou “odeio cachorros”. Nenhum animal deve ser maltratado.

    Absurdo, também, é matar animais para rituais religiosos. Um dia fui passear com a Winnie na praça e ouvi um miadinho beeem de longe, fraquinho. Achei tb que era um passarinho piando, sei lá. Fiquei encucada e depois de procurar, achei, debaixo do banco em que eu estava, um filhotico de gatinho preto, de barriga pra cima com o abdome todo aberto. Dentro tinha uns papéis, pétalas de rosa e mel. Formigas dominavam o bichinho. Ah, não tive dúvidas: peguei o filhotinho e levei no veterinário, que tb ficou horrorizado. Não teve jeito…. tivemos que sacrificar o bichinho. Primeiro uma injeção para dormir e depois uma outra para fazer o coraçãozinho parar de bater.

    Sei que fugi do seu tema vegetariano, mas decidi desabafar aqui neste seu post. Quando vi já havia escrito muitão. 🙂

    Bom, admiro vc por ser vegetariana.

    Sobre a receita, nem preciso dizer que vou tentar fazer em casa, né?

    Beijos,

    Cana

    • وایی: lindaeloira

      Não tem problema mudar o foco, Cana. Aqui não tem dessas! Espaço livre: fala-se o que quer, correndo o risco de ouvir o que não quer, obviamente, Mas esse não é o caso.
      Não sei como consigo ficar sem comer carne tão tranquilamente. Minhas motivações, acho eu, nem são tão nobres… Mas passa numa boa. Agora, o que vc faz fora isso também está em jogo. Vc não come carne, mas cuida dos bichinhos. Eu, por mais que os ame, não tenho metade da dedicação que vc tem com os animais e isso tb é admirável, tenha certeza.,
      Obrigada pela nova visita… E pelo comentário! Rs. Todo mundo comenta no Faebook e aqui fica parecendo que não vem ninguém!

      Beijos e boa semana.

      Gui

      • وایی: Cana

        Obrigada pelas palavras, Gui. Um reconhecimento tem valor imensurável.

        Obrigada, obrigada, obrigada!!!!!!!!!!

  2. وایی: Camila Oliveira

    Muito bacana disponibilizar essa receita mesmo sendo vegetariana. Mas eu aprendi algumas receitas de legumes e estas coisas nesse site, http://www.buzzero.com/cursos-online. Tem que pesquisar muito pra achar coisas interessantes que não levam carnes nos ingredientes. Eu pesquiso bastante. vou juntar e depois deixo mais algumas dicas aqui para você.

    Bjs

    • وایی: lindaeloira

      Camila, como eu disse no post, o negócio não é comer por comer. Pra mim, comida é o que nos mantém vivos, nos dá forças, energias… Nossa alimentação precisa levar isso em consideração, porque, como dizem, nosso corpo é nosso templo, não é mesmo? Vou acessar o link e descobrir coisas novas. Obrigada pelo comentário!

  3. وایی: Katita

    Toda emocionada…
    =)
    Beijim,
    K.

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